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domingo, 12 de julho de 2009

tanta família sem filhos e tantos filhos sem família....

Cinco histórias revelam um retrato da adopção em Portugal e os tons mais densos de uma realidade onde quase nunca se adopta pela Criança mas por se querer uma criança... que substitua o filho "perfeito" que não se pôde ter.

Pedro, Beatriz e Ana (todos os nomes são fictícios) são irmãos e estão numa instituição com medida de adopção decretada. Triste sorte ninguém os querer. Além de três, os primeiros dois têm o síndroma de hiperactividade. Para os técnicos, levantam-se as perguntas: separam-se os irmãos para dar oportunidade a um deles de ter uma família? Ou não se separam, uma vez que eles já são uma família? "Uma questão dificílima" para os técnicos, mas nem sequer equacionável para a mais nova dos três. Ana não iria a lado algum sem os irmãos. Assim o disse, casualmente, sem saber que tem a espada na cabeça.

restante 'notícia'...

in JN Online

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

extraordinário poema da saudosa Natália Correia...


«O acto sexual é para ter filhos» – disse na Assembleia da
República, no dia 3 de Abril de 1982, o então deputado do CDS João
Morgado, num debate sobre a legalização do aborto.·

A resposta de Natália Correia, em poema - publicado depois pelo
Diário de Lisboa, em 5 de Abril desse ano - fez rir todas as bancadas
parlamentares, sem excepção, tendo os trabalhos parlamentares sido
interrompidos por isso:

Já que o coito - diz Morgado -
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino;
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca-truca.

Sendo pai só de um rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou – parca ração! -
Uma vez. E se a função
faz o órgão – diz o ditado –
consumada essa excepção,
ficou capado o Morgado.

(Natália Correia, 3 de Abril de 1982)